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Ivone Gonçalves da Silva Moreira
Psicóloga - CRP 08-10105
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A Criança e a Timidez
"Série: Criando uma mente saudável”
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A timidez também se aprende, ela não nasce como parte integrante
do ser. A criança tímida aprendeu a ser assim. Trata-se
de mais um comportamento pré-fabricado, dentre tantos
que existem para rotular os indivíduos, lhes dar
identidade. A timidez também se torna um identificador
de indivíduos, é a mesma coisa que outros rótulos, tais
como, medroso, ou corajoso, culto, popular,
extrovertido, etc.
Um indivíduo corajoso, apenas repete os gestos superficiais,
alegóricos, que caracterizam aquilo que chamamos de
coragem. Assim coragem, ou demonstração de bravura, são
simples roteiros que se seguidos à risca, tornam
qualquer um medroso, ou corajoso, ou bondoso, não
significando, entretanto, que internamente, dentro de
si, aquele indivíduo seja qualquer uma dessas coisas.
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Se,
para se fazer um bolo basta seguir um
receituário, para ser medroso ou corajoso, vale
a mesma regra. É como um ator a representar seu
papel teatral daquele dia. Representando,
fingindo, ele é capaz de se tornar corajoso, ou
extrovertido, ou covarde. Ele pode se tornar
qualquer personagem, sem, no entanto, ser nenhum
deles de fato.
Para
entender a timidez, precisamos entender como se
sente alguém tímido, que fatores externos e
depois internos, o levaram a interpretar, na
vida real, esse papel ingrato. Mais importante,
no entanto, é compreendermos porque existe este
tipo de comportamento, esse modelo de
personalidade, que faz parte de um indivíduo,
que às vezes o domina, que o controla e dirige a
sua vida, aparentemente, à revelia da sua
vontade.
Sabemos
como nasce alguém tímido. Eles são criados a
partir das comparações com outrem. Afinal de
contas, um tímido é alguém que sempre está em
desvantagem, seja em relação a um, seja em
relação a muitos. Ele se compara, não porque o
deseje, mas porque já foi comparado antes, e
logo se sente inferior, é um sentimento de
inferioridade, de incapacidade. Logo sua
auto-estima é baixa.
Criamos
o tímido quando louvamos qualidades nos filhos
alheios, ou dos seus colegas, ou dos seus
irmãos, deixando claro que estas, a nossa
criança, aquela que é comparada, não possui. Um
padrão de beleza que todos desejam ter, que
passa a valer como ingresso de aceitação social,
como um salvo conduto para merecer a atenção de
um grupo, como um ingresso para fazer parte
desse grupo, cria ou acentua a sensação de
insegurança, própria do tímido. |
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Por isso trabalho em grupo é tão importante, sendo essencial, no
entanto, que educadores e pais, criem na turma a
ideia de igualdade. Isso se consegue na
delegação adequada das tarefas, onde, ninguém
deverá receber méritos diferenciados, ou ser
elogiado por alguma particularidade. Deve-se
elogiar sim, não um autor, mas a qualidade do
trabalho, destacando-se as qualidades de cada
um, sem classificar como menos ou mais, mas como
igualmente importantes quando postas em
conjunto, como resultado final. |

Ao
educador resta o respeito à criança, só assim
poderá ajudar. |
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Compreender
a timidez, isto é, seu plano de atuação na
formação da psique da criança ou jovem, liberta
o adulto inseguro, frustrado, violento e
insatisfeito que seria seu futuro. Não podemos
menosprezar a sensação de insegurança, que é
quase uma regra entre os mais novos, assim como
não podemos menosprezar, o medo que tenham, por
exemplo, de falar em público. Isso apenas
aumenta sua frustração e sensação de pequenez,
que por si mesmo já é grande, não precisando,
portanto, de alguém para lhes lembrar daquilo
que já sabem ser.
Restaurar
a segurança, ou confiança perdida, de uma
criança ou jovem, primeiro começa pela
compreensão, da parte do educador, de que aquele
sentimento merece atenção e consideração. E
apenas assim, ao ganhar o respeito do educador
que se mostra solidário consigo, ela se mostrará
disposta a ouvir seus conselhos.
Compreender
então as diferenças respeitá-las assim como o
são, deve ser o primeiro passo do educador que
deseja ajudar. Mas só poderá ajudar se o outro o
permitir, e este só lhe dará acesso, se confiar
em suas intenções. Isso se comprova pelo
comportamento, palavras e ações, e nunca com
discursos, por mais floridos que possam parecer.
O tímido é mais observador que os demais, está
sempre atento, até como meio de se proteger dos
ataques que sempre acham virão de fora.
E
finalmente, não se cura a timidez com as
comparações, isso apenas tende a agravar o
quadro. Comparar um tímido a alguém de
comportamento não retraído, é o mesmo que
fazê-lo sentir-se culpado pelo fato de ser
inseguro, quando na verdade ele o aprendeu a
ser. Aprendeu de forma involuntária, à revelia
de sua vontade, do seu consentimento, sem
direito à escolha. Lembre-se sempre de que, nós
também aprendemos todos os nossos desejos e
manias, medos e vaidades, sejam desagradáveis ou
não, sem o nosso consentimento, se depois os
rejeitamos ou aprovamos, isso é outra história.
Autores:
Jon Talber -
jontalber@gmail.com
Ester de Cartago -
estercartago@yahoo.com.br
Fonte:http://sitededicas.uol.com.br/ed_integral_criancas_a_timidez.htm
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